CULTURA

 

       A palavra cultura tem origem no idioma latim, tendo como significação principal a “ ação ou maneira de cultivar a terra ou certas plantas, de explorar certas produções naturais, ou ainda, terreno cultivado: extensão de culturas e ainda, epistemologicamente, lavoura, cultivo de campos, instrução, conhecimentos adquiridos, sendo uma palavra derivada de COLERE – cultivar, tratar, cuidar de.” (LAROUSSE, 1999).

        Dessa mesma forma, ainda segundo a enciclopédia, pode ser um acervo intelectual e espiritual... conjunto de conhecimento que enriquece o espírito, apuram o gosto e o espírito crítico: ter grande cultura.

        Assim, cultura abrange as mais variadas áreas dentro de uma sociedade, seja esta primitiva ou industrializada. “É uma grande medida, feita em palavras que traduzem o real, recortando-o, estruturando-o e organizando-o.”(CLAVAL, 2001)

        Então, na maioria das sociedades, os conhecimentos, as regras, as leis, as questões éticas e morais podem ser traduzidas através da dimensão da palavra, do discurso, tais leis, tais regras são constituintes da ordem e organização social, financeira, hierárquica de cada agrupamento humano.

        Das mais variadas formas de discurso, entendido como ações, palavras, desenhos e durante todos os tempos, as sociedades empenharam-se em organizar seus membros a ponto de fazê-los compreender a necessidade de uma ordem, assim aconteceu desde a Ásia até o Novo Mundo.

        Com o passar do desenvolvimento humano sobre a face da Terra, assim como, o desenvolvimento das cidades, dos Estados, os códigos de leis, da ética e da moral, decretaram-se regras de existência, vivência e permanência sobre o planeta.

        Nas sociedades primitivas, matriarcais ou patriacais, os valores baseavam-se no empírico, no conhecimento profundo do ambiente onde habitavam, de suas conclusões e utilizações do solo, do conhecimento do tempo, da noção de seus espaços, de sua sobrevivência; todavia era um mundo mágico dividindo, os seres naturais (espíritos) e os materiais (humanidade e animais), no perímetro do planeta, existia uma relação homem-natureza plena; atribuíam a cada força natural, um espírito, um nome, uma sacralização, uma divindade que desfrutaria do mesmo espaço habitado, ou seja, estariam sempre em comunhão com seus deuses. Conforme Claval (2001), certas culturas consideram que há em cada coisa e em cada ser uma essência que lhes confere consistência e densidade e explica o seu ser, seus movimentos, seus comportamentos e sua evolução.

        Para Morais (2000), nas sociedades mais evoluídas, principalmente à luz da metafísica, da Revolução Industrial e de Descartes, há uma real separação entre homem e natureza, sendo esta vista como meio explorável, separando-se os Céus da Terra, a Humanidade e a Divindade, enfim, agora, Deus estará em cima e os homens abaixo, justificando seus atos.

        Assim, as formas culturais espalharam-se e desenvolveram-se diferentemente a cada povo, pois as dimensões diferenciais de cada ser, necessitavam de uma distinção cultural, idiomática, a cada período da história, acompanhando o desencadear da evolução humana.

        Não seria difícil compreender as razões pelas quais os seres ditos evoluídos ou em outra situação cultural, pretenderam a concepção humanidade – negação – natureza, ora, o sentido antropocêntrico do homem medieval e moderno, julgando-se superior a tudo, buscou em sua própria razão, a superioridade sobre o natural acreditando-se dotado do raciocínio lógico, tão fundamental a construção social, como o conhecemos.

       Em linhas gerais, compreende-se cultura, como o cultivo, a criação, o desenvolvimento das sociedades entre si, apontam-se as formas de sua relação natureza, religiosidade, porém, as derivações de como esses traços serão utilizados a cada grupo, está contido na razão pela qual estas sociedades trabalharam e trabalharão tais traços a seu mecanismo beneficiário.

     Hoje, mesmo os Estados colocando as formas naturais e religiosas em segundo plano, tais elementos    estão     embutidos      nas      construções e desenvolvimentos dos próprios, como

nos casos dos Estados da Idade Média e Moderna, onde o absolutismo trazia a imagem do Rei, como sendo um enviado de Deus e quem sabe, o próprio, ou ainda na Idade Antiga (Egito), onde o faraó era a reencarnação dos deuses. Assim, mesmo às vezes, negando-se a influência da natureza e da religião, as sociedades ligam-se a elas através de traços morais, éticos e sociais, para explicar suas formações de poder e delimitar seus territórios.

 

2.     A Simbologia   3. O Imaginário 4. Espaço Sagrado 5. Religião, território e territorialidade 6. A Fé     7. Vivência e Percepção

 

BILIOGRAFIA

 

CLAVAL, Paul. Geografia Cultural. Florianópolis: UFSC, 2001.

____________. Enciclopédia Larousse Cultural do Brasil. São Paulo: Nova Cultural, 1999 

MORAIS, Eliana M. B., Dissertação de Mestrado, adaptação do 1º capítulo. Goiânia, 2000.

ROSENDAHL, Zeny. Espaço & religião. Rio de Janeiro: Eduerj. 1996.

_______ Hierópolis: o sagrado e o Urbano. Rio de Janeiro: Eduerj. 1999.